Bla Bla Bla

Superficialidade. Falsidade generalizada. Estou farta disso!

E agora quem eu devo ser? Como me portar pra agradar? Como fazer o mundo girar em torno de mim pra alimentar meu egocentrismo?

Fingir que está tudo bem é fácil até chegar ao ponto em que você baixa a guarda, se entrega, explode e deixa aberto ao mundo as suas fraquezas. Não está bem, se é que um dia já esteve. Felicidade não é constante, é apenas momentânia.

Pra que tantas máscaras?

Mais um dia. Planos, metas.. tudo tão longe de ser alcançado mais ao mesmo tempo muito perto. E eu aqui, paralizada, como uma estátua em um museu, observada e observando o olhar crítico de quem me rodeia, analisando e apontando todos os defeitos, afinal, um dos maiores dons do ser humano é atingir o ponto fraco pra fazer seu oponente jogar a toalha. A questão é que alguns sabem como fazer, outros não. Eu sempre tento, vou tentar, nunca faço, nunca me movo, nunca saio do lugar. Espero vir a mim. Realmente, sou uma estátua.

Marionetes. Manipulados. Como me portar pra agradar? Superar expectativas?

E a pressão que me tira do sério e me faz perder o foco.

Ciclo vicioso. Quando parece que estou me levantando, recebo uma facada nas costas. Seria um acaso ou eu procuro isso inconscientemente? Gosto eu de sofrer? Masoquismo?

Caminho, corro, em busca de um “não sei o que”, o tempo passa e eu não saio do lugar.

Ás vezes penso em desistir, mas são nessas horas que eu tiro o algodão que tampona meus ouvidos e ouço gritos que vem de dentro de mim mandando eu continuar.

Sigo, caminhando, com o fardo de arrastar correntes pesadas presas aos meus pulsos, tentando dar um passo de cada vez.

Qro ser livre, quero alguém pra me prender. Quero alguém pra me por limites pois sozinha não consigo. Sou forte, sou fraca. O que sou? O que eu quero?

Tento achar resposta, mas me vejo perdida em um tabuleiro de jogo quase sempre.

E o que fazer agora? Não me deixar abater, continuar andando.

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Keep movin’ on …

Ao invés de viver reclamando, poderiamos nos esforçar e aproveitar cada segundo do nosso dia. Por que se lamentar por coisas que aconteceram no passado ou viver ansioso a custas de um futuro que tanto sonha mesmo sem saber ao certo o que o destino preparou para você? Ter calma é a palavra chave. Acordo, lavo o rosto, mais um dia, rotina maldita que me assombra mas que não consigo me desapegar. Acordo, desta vez com uma nova visão. Vou aproveitar o dia, viver, dar o melhor de mim para que cada pequena coisa que eu realize me traga satisfação. Caso ganhe uma recompensa por isso, ótimo. Se não, tudo bem. Estou preparada. Um passo de cada vez. Uma tarefa de cada vez. Encarar problemas e dificuldade com um sorriso estampado na face é melhor do que se esconder ou fugir. Ninguém vai te fortalecer, no final das contas o seu único porto seguro é você.

Medo

O medo é o meu maior aliado e o meu principal inimigo. Me defende criando uma barreira contra tudo e todos que possam me causar algum mal, mas ao mesmo tempo, me priva de viver e ser consciente ao negar, o faço por medo. Medo de me machucar, de me expor, de me auto-destruir. Percebo que sou tão frágil quanto um vaso raro que se quebra em mil pedaços ao atingir o chão.

Aos poucos, estou aprendendo que não há como renegar minhas origens e nem apagar o passado, mas, sei que posso fazer com as feridas se cicatrizem e me permita seguir em frente, sempre em buscar de me tornar uma pessoa melhor em todos os aspectos.

Sinto um enorme desconforto ao perceber o quão cruel eu posso ser. Tenho o poder de manipular e conseguir tudo o que quero, porém, prefiro agir de outra forma, obter minhas conquistas com meu próprio suor, sem precisar passar por cima de ninguém. Pode ser tolíce minha, mas me sinto melhor assim. Infelizmente, nem todos pensam da mesma forma. À estes, entrego todo o meu desprezo, pois sei que “aqui se faz, aqui se paga”. Se você causa mal à alguém, isso te virá em dobro. Alerto apenas que quem atravessar o meu caminho a fim de me derrubar, deve me temer. Me tornaria uma pedra no seu sapato simplesmente por vontade de sentir o prazer que o gosto da vingança me proporciona. Tenho minha consciência limpa apesar de saber que posso oferecer riscos à mim mesma.

O mundo é tão grande e pequeno ao mesmo tempo e cheio de possibilidades. Ao repousar minha cabeça no travisseiro todas as noites, reflito sobre o que me aguarda mais adiante. Sem expectativas (por medo de me desiludir), espero que o meu futuro seja brilhante, e acredito.

Convivo com o medo mais do que gostaria, devo admitir. Mas, por enquanto, prefiro que continue assim.

Tarde solitária

A solidão adentra meu quarto e invade meu corpo sem pedir permissão. Me consome e traz lágrimas aos meus olhos em um fim de tarde que deveria ser como todos os outros. Explicar o que se passa não cabe a mim pois nem mesmo sei o que estou sentindo. Rodeada por muitos, sozinha de qualquer jeito. Quem sabe um abraço sincero aliviasse a dor…mas quem o daria?

Mais um trago e as lágrimas não relutam em cair. Não deveria ter do que reclamar pois tenho muito, e aqueles que nada tem? Sensações me amedrontam a alguns dias. Meu corpo fica fraco, um calor sobe à minha cabeça..preciso descobrir o que é, mas tenho medo. Precinto que possa ser algo ruim ou simplesmente nada, apenas psicológico.

Cuspo essas palavras para me distrair, a fim de botar pra fora o que me deprecia. Externamente, uma pessoa segura de si, perfeita. Por dentro, há tantos problemas que já nem liga mais por estar acustumada. Nem são tantos assim, mas o exagero é predominante e intensifica.

Só queria que isso tudo parasse. Quem estou tentando enganar? Passe o tempo que for, aquela velha sensação sempre retorna.”Sou apenas um monte de lixo ou um pedaço de carne fresca pronto pra ser devorado”. Se pudesse fugir, fugiria, mas o medo me impede. Como enfrentar o mundo sozinha? Solidão. Odeio essa palavra.

O sabor da tristeza é doce e amargo ao mesmo tempo. Eu gosto, até aprecio. Como sou patética. Reconhecendo o quão despresível eu posso ser, já não choro mais. As lágrimas secaram.

“Agora levanta dessa cama como se nada tivesse acontecido e vá fazer suas coisas como sempre fez. Trouxa!”

Obedeço a minha mente, acho que estou enlouquecendo.

Robôs

Estamos rodeados de pessoas vazias e sem opinião própria, que seguem exatamente o que lhes é imposto sem ao menos questionar. Será que a próxima geração se salvará ou se submeterá? Como robôs programados pela indústria capitalista, metódicamente, vivemos uma rotina em que “tempo é dinheiro”, logo, não temos tempo a perder. Nos comportamos e vestimos de forma “adequada” ou “apresentável”, como se fossemos um produto em uma prateleira, uns são mais atrativos e chamam a atenção do consumidor, outros são apenas “normais”. Se você não possuir tais características não é bonito. Será que o que eu considero bonito é o mesmo que você? De qualquer forma, um padrão foi estipulado e devemos seguí-los para atingirmos a perfeição. Sinto lhe informar, mas NADA é absolutamente perfeito. Me pergunto aonde está aquela vontade de ser contra tudo que nos impõe? Cadê o desejo de ser original? Atualmente, nada se cria, tudo se copia ou é reinventado. Falta ouvirmos aquela voz que grita dentro de nós, implorando para que deixemos de pertencer a esse mundo e buquemos a liberdade de se expressar, de agir, como bem entendemos sem o medo de sermos “taxados” como diferentes. Infelizmente, não a damos a devida atenção, portanto, ela se cala. Ser diferente é ser especial, é valorizar a idéia de que somos únicos. Não te tornará melhor por estar na “moda” ou possuir aquele brinquedo-tecnológico-de-valor-astronômico. Não será inferior por não ter a oportunidade de utilizar objetos que hoje são tidos como fundamentais para nossa sobrevivência. Estamos virando reféns dessa epidemia e deixando de lado o que é realmente importante, a essência do ser humano. Você pode comprar tudo o que cobiça, mas isso te tratará felicidade? Pode até ser que sim, caso o significado desta, para você, seja se ocupar com futilidades. Será que ninguém enxerga que estão nos fazendo uma lavagem cerebral? Compre, seja, beba, coma…

A vida não é apenas o que se consome. Questionar e aprender deveria ser a nossa verdadeira motivação.

V.o.c.ê

Você me magoa da forma mais sutil. Talvez nem perceba o quanto suas palavras me ferem como punhaladas nas costas. Eu não demonstro diante de ti, mas quando me pego sozinha, caio aos prantos tentando entender o por quê de ser assim, será que não podemos ser como todos os outros?

São tantas semelhanças entre nós que ao olhar pra você, praticamente vejo meu reflexo em um espelho. Nossos defeitos de tão iguais nos fazem discutir por motivos quase sempre tolos. Quando eu precisei você esteve lá. Mas em momentos de grande importância para mim, eu estava sozinha.

A sua pequena garotinha cresceu, e ao invés de orgulho, lhe proporcionou muitas tristeza. Mas será que tudo isso não foi para chamar a sua atenção? Ou será que foi por falta de um simples gesto de amor, que por menor que seja, nunca aconteceu?

Tenho muitas mágoas. Muito do que já me disse, mesmo que não seja verdade, sempre ficará marcado em mim. Sei que o que pretendia para mim era completamente diferente do que me tornei, percebo em seu olhar de desprezo. Talvez eu não consiga preencher o vazio que deixou, talvez as feridas não sarem. O que presenciei quando criança, de certa forma, me traumatizou, mas serviu como aprendizado. Não farei o mesmo que você.

É muito duro pra mim ter que enfrentar meus medos e atingir meus objetivos sem o seu apoio. Por mais fria que eu tente parecer, por dentro estou sangrando. Queria que fosse diferente, mas não é. Sozinha, infelizmente, seguirei. Quando precisar estarei aqui, jamais vou te abandonar, pode ter certeza.

Espero que um dia você enxergue que apesar de tudo, o que eu mais queria era te ter ao meu lado. Não se culpe. O tempo não volta.

Não me ponha pra fora como sempre faz. O que pensa e o que sente é indecifrável. Só tente me fazer enxergar, antes que seja tarde de demais.

Espera constante

Ele se mudou para uma casa em uma vizinhança pacata. Ela o espiou pela janela e seu corpo estremeceu. Quando trocando olhares pela primeira vez, de imediato se apaixonaram. A família dela era super tradicional, jamais permitira que houvesse um relaciomento entre os dois, de cores diferentes, mas seu coração falava mais alto e ela se entregou ao caso proibido.

Todas as tardes eles se encontravam as escondidas em um parque próximo a suas casas. Trocavam juras de amor e carinhos intermináveis. Houve uma noite em que ela disse aos pais que dormiria na casa de uma amiga de escola. Na verdade, o encontrou no píer do parque e ali se amaram pela primeira e única vez, diante de um céu estrelado.

Eram tempos de guerra, ele havia sido recrutado. Contou pra sua amada em uma daquelas tardes. Os dois aos prantos se beijaram, mal sabiam que aquele seria o último beijo. Ele prometeu voltar e assim que isso acontecesse, fugiriam e se casariam.

No primeiro ano, ela recebia cartas com relatos de toda guerra, banhada a sangue, e como os dias custavam a passar. Ela havia engravidado, mas perdeu o bebê e não contou nada disso a ele. Resolveu fugir, pois seus pais tinham descoberto tudo e a surraram como nunca antes. Ela ficou traumatizada e seguiu sua vida sozinha. 

Se sustentava trabalhando em casas de família e após alguns meses, já tinha sua própria residência, de aluguel, mas era SUA e no futuro, de seu amor também.

Ela checava a caixa de correio de seus pais escondida. Elas ainda chegavam, mas com um longo espaço de tempo. Depois de 2 anos, não as recebia mais. Mesmo assim, acreditava que ele a qualquer momento arrombaria a porta trajando sua farda surrada e a beijaria docemente como sempre fazia.

O tempo passava, as rugas em seus rosto se tornavam cada vez mais aparentes. Ela ficava diante da tv durante o dia e a noite sempre o aguardava, sentada naquela velha poltrona na sala de estar. Nunca perdeu as esperanças.

No dia em que sentiu que seu fim estava próximo, colocou seu vestido preto, já comido por traças e saiu em direção ao píer, no mesmo horário da noite mais especial de sua vida. Deitou na madeira áspera e olhou para o céu. Havia uma estrela em destaque, brilhando mais que todas as outras.

Como um último suspiro, declarou seu amor e  após ter passado toda sua vida à espera do momento em que iria revê-lo, finalmente se reencontraram, e os dois brilharam, iluminando aquela noite fria.

Marcas

Ela era uma garota comum, sem muitos atrativos, mas chamava atenção por onde passava. Talvez por sua palidez destacar as marcas em seu corpo. Marcas? Sim, muitas, aliás. Cortes, manchas, cicatrizes, tatuagens…cada um carregava consigo histórias.

Em seu pulso esquerdo haviam cicatrizes de quando se auto-mutilava, hoje cobertas por uma tatuagem. Houve um dia em que brigou com seus familiares pois não permitiam que seu namorado entrasse em sua casa. Em um ataque de fúria, prefiriu se ferir ao quebrar tudo o que tinha em sua volta. Se cortou bem fundo, várias vezes. Quando pervebeu que sua forma de alívio havia extrapolado e que o sangue jorrava, formando uma pequena poça no chão, deixou o orgulho de lado e ligou para sua mãe que imediatamente foi ao seu encontro e a levou ao hospital. Aquela não era a primeira vez, mas foi a última. Enquanto tomava pontos, ela chorava, não por dor (pois estava anestesiada), mas pelo constrangimento que as pessoas lhe causava ao perguntar o porque daquilo e orientá-la a procurar ajuda psicológica. “O corpo é meu, eu faço o que eu quizer com ele”. Os olhares de pena dirigidos a ela alimentavam sua raiva. Ela sente vergonha ao olha-las pois nem todas o desenho escondeu.

Em seu pulso esquerdo há uma tatuagem que ela detesta. Esta foi feita ao 16 anos. Ficou horrorosa, mas por 15 reais não podia se esperar muita coisa. Já pensou em cobri-la pois as vezes a encara como um fardo, como um nome que carregava a lembrança de uma época inconsequente de sua vida. Prefere não pensar muito nisso, afinal, nem tudo era foi tão ruim assim e um pouco daquilo ainda restava dentro dela.

Em sua coxa direita há uma pequena manchinha que ficou da cicatrização de uma queimadura. Em uma noite de loucuras e bebedeiras diante do mar, seu amigo em estado deplorável simplesmente apagou o cigarro em sua perna. Ela nem sentiu pois estava tão entorpecida quanto ele.

Em seus joelhos, lembranças da sua infância. De tombos de bicicleta, do balanço…Todos seguidos de choros histéricos ou até mesmo risadas.

Se contar a história de cada uma, isto aqui duraria horas. Também não há necessidade, pois algumas ela nem e recorda como aconteceu.

Ela tinha muitas marcas, internas e externas. Mas quem se importa? Se o seu fim for trágico, elas só serviram para identificar seu corpo.

Noite calorosa

Era uma quinta-feira qualquer. Hannah recebeu uma ligação um tanto quanto inusitada que a arrepiou da cabeça aos pés. Era Rodrigo, o ator principal de todos seus sonhos eróticos que tragicamente eram interrompidos pelo alarme do despertador. Ele propôs um jantar em um dos restaurantes mais caros da cidade com uma vista deslumbrante para o mar. Sem pensar duas vezes, ela aceitou. Gaguejando por estar nervosa e surpresa, anunciou que estaria pronta por volta das oito horas.

Já eram seis da noite. Ela mergulhou seu corpo na banheira perfumada com essência de orquídeas, procurando relaxar. Após o banho, passou hidratante em sua pele macia que ansiava por um toque que a fizesse transbordar de prazer. Não esqueceu de sua colônia que Rodrigo tanta elogiava. Vestiu-se de forma recatada mas provocante. Estava pronta a espera de seu amante.

A campainha tocou. Lá estava ele diante da porta com um traje sexy e despojado e seu charme irresistível. Seu olhar cafageste a despia. Ele a desajava. Após um jantar delicioso acompanhado por taças de vinho, risadas e conversas sobre assuntos sem muita importância, ele a convidou para conhecer seu novo apartamento, que ficava a poucas quadras dali. Com um certo receio, acabou concordando. Afinal, não haveria mal algum em estender aquela noite que até então estava sendo maravilhosa.

Quando chegaram, ele tirou seu casaco de grife e estendeu sobre a cadeira da mesa de jantar. Pegou duas taças em seu barzinho particular com uma enorme variedade de bebidas, escolheu um champanhe importado e  prôpos um brinde: “Que esta noite seja inesquecível!” . Aproximou-se vagarosamente e arriscou um beijo. Seus lábios se tocaram de forma suave. Hannah, levemente embreagada, não se conteve e aprofundou aquele ato . O encaixe era perfeito. Rodrigo interrompeu aquele momento e fitou os olhos de Hannah, que pareciam um lago de águas cristalinas, convidando-o para mergulhar sem pudor dentro dele. Como um animal no cio, seu corpo exalava um cheiro doce que o excitava. Com um golpe certeiro, agarrou suas coxas e a posicionou estrategicamente em seu colo, fazendo com que ela sentisse o volume dentro de sua calça. Ela entorpecida e possuída por uma enorme vontade, o beijava como se precisasse daquilo enquanto arranhava delicadamente sua nuca.

Quando abriu os olhos, estava deitada em uma cama macia, coberta por lençóis de seda que inocentemente a atiçava. Rodrigo tirou a blusa, deixando em evidência seu corpo esculpido e musculoso. Hannah queimava por dentro de tanto tesão. As mãos de Rodrigo deslizaram sobre o vestido vermelho, arrancando-o rapidamente, revelando seios fartos e empinados. Tirou a calcinha rendada com os dentes a fazendo dar um breve gemido. A beijou novamente, dessa vez em outros lábios, a deixando molhada, quase suplicando para senti-lo em seu interior. Ele abriu o zíper e tirou sua calça, seu membro avantajado pulsava, sedento. Ela retribuiu, abrigando-o no interior de sua boca quente e úmida.

Rodrigo a penetrou com um único e intenso movimento. Hannah gemeu novamente, agora mais alto. Seu corpo era um vulcão prestes a entrar em erupção. Ambos se movimentavam em harmonia, fazendo com que cada penetração fosse mais forte e em ritmo constantemente acelerado. Hannah se entregou ao prazer e se permitiu gozar como nunca antes em sua vida. Gemeu tão alto que o som ultrapassou as paredes do quarto. Ele a acompanhou. Logo após, se abraçaram, completamente suados e adormeceram como dois amantes, vítimas de um desejo incontrolável que os dominara e fizeram de seus corpos um só.

Lovegame?

Quando alguém se machuca e bate de cara contra a parede diversas vezes até perceber o quanto dói, procura de alguma forma se proteger para não se ferir novamente. Eu sou assim.

O amor não é tão lindo, mágico – ou qualquer outro adjetivo meigo de citar – quanto parece, pelo menos eu não acho. Conheço pessoas que se apaixonam como trocam suas roupas íntimas e que se aventuram em relacionamentos sem medo de sofrer. Também conheço quem se envolva apenas por puro benefício ou conviniência. Duram meses, anos…mas duram.

Se entregar, jurar fidelidade e se permitir amar um outro alguém não é tão simples pra mim. Apesar de estar sempre me divertindo e beijando bocas alheias na tentativa frustrada de despistar a maldita carência que me persegue a todo instante (e que eu prefiro não demonstrar), sempre volto para casa sozinha (ou simplesmente não volto), passo meus dias sozinha e divido apenas comigo mesma conflitos e sentimentos. Sou minha própria e única companhia. Um gesto sem amor pouco importa. Ok, no fundo estou mentindo, mas prefiro não dar muito valor. Sinto falta de alguém para compartilhar momentos, até os mais idiotas, como ver filme comendo pipoca. Sinto falta de ter intimidade, de poder confiar e de sexo todo dia…foda-se!

Tive poucos relacionamentos e nem um deles durou muito. O primeiro, um paralelo entre lágrimas e felicidades. Houveram muitos momentos divertidos e quase sempre a cerveja estava presente. O segundo me fez crescer bastante. Conversavamos sobre tudo o que nos rodeava, o que desejamos para o futuro, viajamos bastante e nos entendiamos. Nos damos bem até hj. O terceiro não foi bem um “namoro”, mas me atingiu de forma avassaladora da qual me senti uma idiota e me fez jurar vingança. Não aconteceu. Prefiro que ele mesmo aprenda com seus erros.

Sou confusa, não me entrego por completo, sou instável, mimada e enjôuo fácil de pessoas previsíveis e de monotonia. Sou radical em certas opiniões. Se quem está comigo não for dono de TODO meu desejo, tesão e amor, não vale a pena, não deve ser verdadeiro. Se termino, dias depois estou renovada. Posso até sentir falta, mas acredito que seja apenas coisa da minha cabeça e que vai passar. Não traio e nunca trai. Termino antes e pronto.

Até hoje me pergunto se já amei de verdade. Talvez tenham sido paixões, amizades fortes e confusas, compatibilidade ou um enorme carinho. Acho difícil eu conseguir me jogar de cabeça em um namoro, por medo de me ferir. Entre o certo e o duvidoso, prefiro não me arriscar e nem perder meu tempo. Porque quem sabe nesse “meio-tempo” possa aparecer o “amor da minha vida” e eu não vou querer estar presa e muito menos magoar alguém pois sei o quanto dói. Tento sempre me dedicar ao máximo para fazer quem estiver comigo feliz e se consigo, já me contento. Não sei se permitiria que fizessem o mesmo, para, pelo menos, poupar minhas feridas e preservar meu espaço.

Apesar de estar aprendendo a ser mais flexível e perceber que nem tudo precisa ser tão drástico, o que posso fazer se só me deixaria levar por alguém que me tirasse do sério a ponto de cometer loucuras?

É tudo muito complicado. Talvez eu idealize um par perfeito ou acredite que um dia eu viverei um romance tão intenso como o de uma mega-produção hollywoodiana… Enquanto esse alguém não aparece, estou muito bem sozinha, obrigada.

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