Justamente no dia em que foi atrás de anestesia pra quebrar a rotina, esquecer-se do stress e da falta de paciência que custuma dominar. Parece que a alma estava pressentindo o que viria, mas ao em vez de buscar consolo, foi atraída pela vontade de sentir mais dor -inconscientemente – se ferir. Auto-punição. Masoquismo em evidência. Forma de fugir da realidade, alívio.

Já não estava mais em seu corpo, creio que ambos. Talvez aquele momento foi igual para os dois, porém seguiram caminhos diferentes: um em direção ao eterno descanço; outro em direção a dor, a carne, a realidade.

Pelo menos compartilharam um último momento juntos.

E agora? Ela e sua mania de fazer papel de vítima, eles de culpá-la por tudo, como se estivesse SEMPRE errada, a vilã da história. Isso não justifica todas as noites que não estiveram presentes, todos os abraços que não foram dados, a falta de toque, de troca. A melhor defesa é o ataque. Não assumem as cicatrizes que deixaram. Todos erram.

Apedreja quem a faz e a fez sofrer. Não quer por perto. Não faz parte disso, nunca fez. Sempre se sentiu deslocada, diferente. Não há mal algum nisso, já que essa diferença mostra que busca outras coisas além de matéria.

Ingratidão? Talvez. Quem sabe um sentimento acumulado de raiva, ódio. Revolta.

Peca, como todo ser humano. Não é de ferro para assumir a culpa de todo um círculo que infelizmente faz parte, não por escolha, mas porque foi decidido assim.

Agora chora. Quer se ver livre, longe.

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