Archive for maio, 2011

-Mulher ao lado de seu amante em seu leito de morte. –

BEATRICE- Por que Deus teve de condenar o meu único e verdadeiro amor à morte de forma tão devastadora? Por que fez cair sobre ti a Peste que assombra os arredores enquanto a punição poderia pender sobre mim, livrando-te de tanto sofrimento?

LEONARD- Jamais repita estas palavras! Não faça com que estes últimos minutos que me restam sejam mais dolorosos. Não dor carnal, que dilacera corpos de reles mortais, mas dor que penetra por dentre as entranhas e estraçalha meu debilitado coração, já ferido por saber que não mais verei estes olhos que reluzem como esmeraldas.

BEATRICE- Oh! Por que eis de partir desta forma? Lágrimas escorrem de meus olhos e morrem em teus lábios como se pudessem matar sua sede e lhe conceder novamente vida. Vossa fonte secou… seu corpo, desfalecido…Tenho de partir e buscar fortaleza para servir-me de abrigo e proteger o fruto do nosso amor, que carrego em meu ventre.

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ADRIAN- Onde estavas? Aposto que foi atrás daquele maldito moribundo que pisou em nosso lar para semear discórdia, roubando-te de minha pessoa.

BEATRICE- Nunca pertenci a você. Meu coração e meu corpo sempre pertenceram a um único dono, que foi tirado de mim por injusta vontade divina.

ADRIAN- Cala-te! Não vê a vergonha que causa desrespeitando a decisão dos céus e falando daquele criado como se de fato fosse importante? A maldição fez-se cumprir, fazendo-lhe pagar por enorme atrevimento. Ele era subordinado a me servir, obedecer-me, enquanto a tua função, como mulher, era honrar-me e tratar-me como alteza de seu reino! Saia de minha frente antes que tomado por loucura e ódio, acabe com a sua vida, como se fosse apenas um roedor.

BEATRICE- Como quiseres. Partirei esta noite, em busca de uma nova vida e comigo, meu único companheiro, que me acolherá com doces memórias do falecido e que, um dia, tornara-se grande, como o homem que junto a mim, lhe concebeste a vida, confortando-me com orgulho e com sabedoria que herdarás.

ADRIAN- Pois vá! Retire esta carcaça que já estás sendo tomada pelo mau cheiro que transpira de sua alma pecadora e sufoca-me de desgosto. Vague por estas vielas em busca de comida e abrigo como um desafortunado. Espero que sofras por tuas escolhas o tanto quanto sofro em ver o tipo de “donzela” com quem fiz votos de matrimoniais.

E assim, Beatrice se foi, e com ela, o fruto de um amor proibido, entre um ordinário criado e uma bela donzela.

Tarde de Domingo

 

Se as paredes do meu quarto falassem, com certeza contariam detalhadamente o que aconteceu naquela noite. Me recordo claramente que estas mal conseguiram abafar meus gemidos de prazer…

Era tarde, um domingo qualquer. A campainha do meu apartamento tocou, lá estava ele, perfeitamente bem vestido, porém beirando a casualidade. Seu corpo exalava um cheiro um tanto quanto afrodisíaco, que misturado ao meu perfume, tornava o ambiente convidativo.

Sentamos no meu sofá e conversamos por horas sobre assuntos banais que, apesar de tudo, garantiram boas risadas. Era inevitável mirar seus olhos sem desejar nadar nas profundezas daquilo que parecia um profundo oceano. Seu sorriso me hipnotizava enquanto os seus lábios mandavam mensagens subliminares que sugeriam que os meus pudessem tocá-los.

Quando percebi, estava mergulhada em seus braços. Eu queimava por dentro, precisava imediatamente cessar aquele fogo e ele havia entendido qual seria a sua missão.

Pegou-me no colo e levou-me para o quarto, repousando meu corpo com cuidado sobre o lençol de seda. Um enorme calafrio percorreu meu corpo enquanto ele me despia e sugava delicadamente meus seios. Resolvi mostrar quem comandaria a situação dali por diante. Abriguei seu orgão em minha boca e fui correspondida da mesma forma. Me contorcia de prazer. Não consegui conter-me e gemi alto assim que ele penetrou com um único e vigoroso movimento. Era gostoso tê-lo dentro de mim, me preenchendo de todas as formas possíveis. E assim ficamos, por toda noite, testando incessantemente a capacidade do ser humano de sentir e proporcionar prazer.

Vimos o dia clarear e já exaustos, resolvemos dormir. Deitei meu rosto sobre seu peito e nos abraçamos carinhosamente. Me senti uma mulher realizada, mais ainda por saber o quanto satisfiz o meu homem.

Pra sempre, sempre acaba?

 

Quando escuto ou leio “para sempre”, minha única vontade é de simplesmente retrucar: “Pra sempre não existe, bem-vindo a realidade”. A vida é composta por ciclos, que quando chegam ao fim, tornam-se início de outro.

Me sinto desacreditada, sentimento um tanto quanto ruim. Se esperança é a última que deve morrer, posso dizer que ela está em sono profundo, contra minha vontade.

Quando pequena, custumava sonhar acordada. Acreditava que quando alguém partia se tornava uma estrela, que eu poderia respirar debaixo d’água como uma sereia, que seria alguém que moveria multidões com algumas palavras de profunda verdade relacionadas ao meu ser e misturadas a melodias…

Isso tudo se foi, a realidade me engoliu com apenas uma mordida, me obrigando a ver o quão difícil é atingir objetivos, a crueldade que domina o ser humano e que nem tudo depende de nós, deixando o destino como encarregado (nisso, eu acredito).

Escuto a voz dessa menina algumas vezes falando pra não desistir, pra acreditar, que tudo só depende de mim…

Somos volúveis, circustâncias fazem com que nossos planos sejam adaptados para talvez serem concluídos, junto aos nossos desejos… então, como afirmar querer algo para sempre se não sabemos o dia de amanhã? Que convicção se tem para não acreditar que suas vontades atuais não mudaram em questão de minutos?

Não quero ser pessimista, apesar de pender inconscientemente para este lado. Bons pensamentos atraem bons fluídos, porém, se pensarmos no pior que pode acontecer, já estaremos precavidos e com uma “carta na manga” para se safar de tal situação.

Eu e minha terrível mania de extrema auto-proteção bate de frente com meu lado auto-destrutivo, cômico não?

Meus pés estão presos ao chão, por mais incoerente que me julgam ser. Só busco formas de anestesiar e fugir um pouco disso tudo. Queria voltar a voar, resgatar a inocência que foi embora (não por completo) com os anos que se passaram. Tenho muito o que aprender, um longo caminho a percorrer, porém certa de que tudo que vem pode ir embora, como aconteceu tantas vezes… Quem sabe isso mude alguma hora…

Doce Lembranças

 

Vê-lo partir, indo ao encontro daqueles que enfrentavam sua pátria, travando lutas intermináveis, provando sua bravura, é doloroso, mas faz-me admirá-lo como um verdadeiro homem. Homem que fez parte de minha vida. Homem com qual sonho toda noite e ao acordar me deparo com os efeitos que causa em meu corpo.

Lembro-me claramente daquela tarde em que apreciamos o pôr do sol, debaixo de uma grande árvore que nos acolhia como um forte abraço. Eramos um só. Perdidamente apaixonados e tomados por tamanho desejo.

Apreciava-mos a comida acompanhada de vinho seco. A brisa balança meus cabelos e arrepiava cada poro do meu corpo. Trocava-mos beijos, beijos que, por mim, seriam intermináveis. Queria senti-lo por completo, pela primeira vez, como um príncipe tocando uma donzela, como o tempo que transforma uma menina em mulher e liberta todas as suas vontade, por mais ocultas que sejam.

Suas mãos acolheram meu rosto e aos poucos tomaram as curvas do meu corpo, me deixando completamente molhada. Apesar de calejadas, tinham um toque firme. Me acariciava docemente. Desabotou minha blusa, enquanto alternava mordidas e beijos em meu pescoço. Sutilmente levantou a saia, despindo-me quase que por completo, procurando anestesiar minha alma que clamava por satisfação. Meus lábios, seus lábios. Me contorcia e puxava o seu cabelo conduzindo o ritmo que nos embalava.

Ele estava dentro de mim, vagarosamente porém intenso. Seu orgão pulsava. Desfrutamos do prazer que nossos corpos jamais haviam degustado antes.

Exausto, desfaleceu ao meu lado. Seu rosto exibia um sorriso que brilhava mais que qualquer estrela que já tomava o céu e se fazia notar na escuridão. Era noite, nossa noite. Adormecemos.

Me perguntava se havia sido um sonho.

Homem que me fez tocar as nuvens sem sair do chão… sinto sua falta.