Archive for outubro, 2009

Medo

O medo é o meu maior aliado e o meu principal inimigo. Me defende criando uma barreira contra tudo e todos que possam me causar algum mal, mas ao mesmo tempo, me priva de viver e ser consciente ao negar, o faço por medo. Medo de me machucar, de me expor, de me auto-destruir. Percebo que sou tão frágil quanto um vaso raro que se quebra em mil pedaços ao atingir o chão.

Aos poucos, estou aprendendo que não há como renegar minhas origens e nem apagar o passado, mas, sei que posso fazer com as feridas se cicatrizem e me permita seguir em frente, sempre em buscar de me tornar uma pessoa melhor em todos os aspectos.

Sinto um enorme desconforto ao perceber o quão cruel eu posso ser. Tenho o poder de manipular e conseguir tudo o que quero, porém, prefiro agir de outra forma, obter minhas conquistas com meu próprio suor, sem precisar passar por cima de ninguém. Pode ser tolíce minha, mas me sinto melhor assim. Infelizmente, nem todos pensam da mesma forma. À estes, entrego todo o meu desprezo, pois sei que “aqui se faz, aqui se paga”. Se você causa mal à alguém, isso te virá em dobro. Alerto apenas que quem atravessar o meu caminho a fim de me derrubar, deve me temer. Me tornaria uma pedra no seu sapato simplesmente por vontade de sentir o prazer que o gosto da vingança me proporciona. Tenho minha consciência limpa apesar de saber que posso oferecer riscos à mim mesma.

O mundo é tão grande e pequeno ao mesmo tempo e cheio de possibilidades. Ao repousar minha cabeça no travisseiro todas as noites, reflito sobre o que me aguarda mais adiante. Sem expectativas (por medo de me desiludir), espero que o meu futuro seja brilhante, e acredito.

Convivo com o medo mais do que gostaria, devo admitir. Mas, por enquanto, prefiro que continue assim.

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Tarde solitária

A solidão adentra meu quarto e invade meu corpo sem pedir permissão. Me consome e traz lágrimas aos meus olhos em um fim de tarde que deveria ser como todos os outros. Explicar o que se passa não cabe a mim pois nem mesmo sei o que estou sentindo. Rodeada por muitos, sozinha de qualquer jeito. Quem sabe um abraço sincero aliviasse a dor…mas quem o daria?

Mais um trago e as lágrimas não relutam em cair. Não deveria ter do que reclamar pois tenho muito, e aqueles que nada tem? Sensações me amedrontam a alguns dias. Meu corpo fica fraco, um calor sobe à minha cabeça..preciso descobrir o que é, mas tenho medo. Precinto que possa ser algo ruim ou simplesmente nada, apenas psicológico.

Cuspo essas palavras para me distrair, a fim de botar pra fora o que me deprecia. Externamente, uma pessoa segura de si, perfeita. Por dentro, há tantos problemas que já nem liga mais por estar acustumada. Nem são tantos assim, mas o exagero é predominante e intensifica.

Só queria que isso tudo parasse. Quem estou tentando enganar? Passe o tempo que for, aquela velha sensação sempre retorna.”Sou apenas um monte de lixo ou um pedaço de carne fresca pronto pra ser devorado”. Se pudesse fugir, fugiria, mas o medo me impede. Como enfrentar o mundo sozinha? Solidão. Odeio essa palavra.

O sabor da tristeza é doce e amargo ao mesmo tempo. Eu gosto, até aprecio. Como sou patética. Reconhecendo o quão despresível eu posso ser, já não choro mais. As lágrimas secaram.

“Agora levanta dessa cama como se nada tivesse acontecido e vá fazer suas coisas como sempre fez. Trouxa!”

Obedeço a minha mente, acho que estou enlouquecendo.

Robôs

Estamos rodeados de pessoas vazias e sem opinião própria, que seguem exatamente o que lhes é imposto sem ao menos questionar. Será que a próxima geração se salvará ou se submeterá? Como robôs programados pela indústria capitalista, metódicamente, vivemos uma rotina em que “tempo é dinheiro”, logo, não temos tempo a perder. Nos comportamos e vestimos de forma “adequada” ou “apresentável”, como se fossemos um produto em uma prateleira, uns são mais atrativos e chamam a atenção do consumidor, outros são apenas “normais”. Se você não possuir tais características não é bonito. Será que o que eu considero bonito é o mesmo que você? De qualquer forma, um padrão foi estipulado e devemos seguí-los para atingirmos a perfeição. Sinto lhe informar, mas NADA é absolutamente perfeito. Me pergunto aonde está aquela vontade de ser contra tudo que nos impõe? Cadê o desejo de ser original? Atualmente, nada se cria, tudo se copia ou é reinventado. Falta ouvirmos aquela voz que grita dentro de nós, implorando para que deixemos de pertencer a esse mundo e buquemos a liberdade de se expressar, de agir, como bem entendemos sem o medo de sermos “taxados” como diferentes. Infelizmente, não a damos a devida atenção, portanto, ela se cala. Ser diferente é ser especial, é valorizar a idéia de que somos únicos. Não te tornará melhor por estar na “moda” ou possuir aquele brinquedo-tecnológico-de-valor-astronômico. Não será inferior por não ter a oportunidade de utilizar objetos que hoje são tidos como fundamentais para nossa sobrevivência. Estamos virando reféns dessa epidemia e deixando de lado o que é realmente importante, a essência do ser humano. Você pode comprar tudo o que cobiça, mas isso te tratará felicidade? Pode até ser que sim, caso o significado desta, para você, seja se ocupar com futilidades. Será que ninguém enxerga que estão nos fazendo uma lavagem cerebral? Compre, seja, beba, coma…

A vida não é apenas o que se consome. Questionar e aprender deveria ser a nossa verdadeira motivação.