Archive for setembro, 2009

V.o.c.ê

Você me magoa da forma mais sutil. Talvez nem perceba o quanto suas palavras me ferem como punhaladas nas costas. Eu não demonstro diante de ti, mas quando me pego sozinha, caio aos prantos tentando entender o por quê de ser assim, será que não podemos ser como todos os outros?

São tantas semelhanças entre nós que ao olhar pra você, praticamente vejo meu reflexo em um espelho. Nossos defeitos de tão iguais nos fazem discutir por motivos quase sempre tolos. Quando eu precisei você esteve lá. Mas em momentos de grande importância para mim, eu estava sozinha.

A sua pequena garotinha cresceu, e ao invés de orgulho, lhe proporcionou muitas tristeza. Mas será que tudo isso não foi para chamar a sua atenção? Ou será que foi por falta de um simples gesto de amor, que por menor que seja, nunca aconteceu?

Tenho muitas mágoas. Muito do que já me disse, mesmo que não seja verdade, sempre ficará marcado em mim. Sei que o que pretendia para mim era completamente diferente do que me tornei, percebo em seu olhar de desprezo. Talvez eu não consiga preencher o vazio que deixou, talvez as feridas não sarem. O que presenciei quando criança, de certa forma, me traumatizou, mas serviu como aprendizado. Não farei o mesmo que você.

É muito duro pra mim ter que enfrentar meus medos e atingir meus objetivos sem o seu apoio. Por mais fria que eu tente parecer, por dentro estou sangrando. Queria que fosse diferente, mas não é. Sozinha, infelizmente, seguirei. Quando precisar estarei aqui, jamais vou te abandonar, pode ter certeza.

Espero que um dia você enxergue que apesar de tudo, o que eu mais queria era te ter ao meu lado. Não se culpe. O tempo não volta.

Não me ponha pra fora como sempre faz. O que pensa e o que sente é indecifrável. Só tente me fazer enxergar, antes que seja tarde de demais.

Espera constante

Ele se mudou para uma casa em uma vizinhança pacata. Ela o espiou pela janela e seu corpo estremeceu. Quando trocando olhares pela primeira vez, de imediato se apaixonaram. A família dela era super tradicional, jamais permitira que houvesse um relaciomento entre os dois, de cores diferentes, mas seu coração falava mais alto e ela se entregou ao caso proibido.

Todas as tardes eles se encontravam as escondidas em um parque próximo a suas casas. Trocavam juras de amor e carinhos intermináveis. Houve uma noite em que ela disse aos pais que dormiria na casa de uma amiga de escola. Na verdade, o encontrou no píer do parque e ali se amaram pela primeira e única vez, diante de um céu estrelado.

Eram tempos de guerra, ele havia sido recrutado. Contou pra sua amada em uma daquelas tardes. Os dois aos prantos se beijaram, mal sabiam que aquele seria o último beijo. Ele prometeu voltar e assim que isso acontecesse, fugiriam e se casariam.

No primeiro ano, ela recebia cartas com relatos de toda guerra, banhada a sangue, e como os dias custavam a passar. Ela havia engravidado, mas perdeu o bebê e não contou nada disso a ele. Resolveu fugir, pois seus pais tinham descoberto tudo e a surraram como nunca antes. Ela ficou traumatizada e seguiu sua vida sozinha. 

Se sustentava trabalhando em casas de família e após alguns meses, já tinha sua própria residência, de aluguel, mas era SUA e no futuro, de seu amor também.

Ela checava a caixa de correio de seus pais escondida. Elas ainda chegavam, mas com um longo espaço de tempo. Depois de 2 anos, não as recebia mais. Mesmo assim, acreditava que ele a qualquer momento arrombaria a porta trajando sua farda surrada e a beijaria docemente como sempre fazia.

O tempo passava, as rugas em seus rosto se tornavam cada vez mais aparentes. Ela ficava diante da tv durante o dia e a noite sempre o aguardava, sentada naquela velha poltrona na sala de estar. Nunca perdeu as esperanças.

No dia em que sentiu que seu fim estava próximo, colocou seu vestido preto, já comido por traças e saiu em direção ao píer, no mesmo horário da noite mais especial de sua vida. Deitou na madeira áspera e olhou para o céu. Havia uma estrela em destaque, brilhando mais que todas as outras.

Como um último suspiro, declarou seu amor e  após ter passado toda sua vida à espera do momento em que iria revê-lo, finalmente se reencontraram, e os dois brilharam, iluminando aquela noite fria.

Marcas

Ela era uma garota comum, sem muitos atrativos, mas chamava atenção por onde passava. Talvez por sua palidez destacar as marcas em seu corpo. Marcas? Sim, muitas, aliás. Cortes, manchas, cicatrizes, tatuagens…cada um carregava consigo histórias.

Em seu pulso esquerdo haviam cicatrizes de quando se auto-mutilava, hoje cobertas por uma tatuagem. Houve um dia em que brigou com seus familiares pois não permitiam que seu namorado entrasse em sua casa. Em um ataque de fúria, prefiriu se ferir ao quebrar tudo o que tinha em sua volta. Se cortou bem fundo, várias vezes. Quando pervebeu que sua forma de alívio havia extrapolado e que o sangue jorrava, formando uma pequena poça no chão, deixou o orgulho de lado e ligou para sua mãe que imediatamente foi ao seu encontro e a levou ao hospital. Aquela não era a primeira vez, mas foi a última. Enquanto tomava pontos, ela chorava, não por dor (pois estava anestesiada), mas pelo constrangimento que as pessoas lhe causava ao perguntar o porque daquilo e orientá-la a procurar ajuda psicológica. “O corpo é meu, eu faço o que eu quizer com ele”. Os olhares de pena dirigidos a ela alimentavam sua raiva. Ela sente vergonha ao olha-las pois nem todas o desenho escondeu.

Em seu pulso esquerdo há uma tatuagem que ela detesta. Esta foi feita ao 16 anos. Ficou horrorosa, mas por 15 reais não podia se esperar muita coisa. Já pensou em cobri-la pois as vezes a encara como um fardo, como um nome que carregava a lembrança de uma época inconsequente de sua vida. Prefere não pensar muito nisso, afinal, nem tudo era foi tão ruim assim e um pouco daquilo ainda restava dentro dela.

Em sua coxa direita há uma pequena manchinha que ficou da cicatrização de uma queimadura. Em uma noite de loucuras e bebedeiras diante do mar, seu amigo em estado deplorável simplesmente apagou o cigarro em sua perna. Ela nem sentiu pois estava tão entorpecida quanto ele.

Em seus joelhos, lembranças da sua infância. De tombos de bicicleta, do balanço…Todos seguidos de choros histéricos ou até mesmo risadas.

Se contar a história de cada uma, isto aqui duraria horas. Também não há necessidade, pois algumas ela nem e recorda como aconteceu.

Ela tinha muitas marcas, internas e externas. Mas quem se importa? Se o seu fim for trágico, elas só serviram para identificar seu corpo.

Noite calorosa

Era uma quinta-feira qualquer. Hannah recebeu uma ligação um tanto quanto inusitada que a arrepiou da cabeça aos pés. Era Rodrigo, o ator principal de todos seus sonhos eróticos que tragicamente eram interrompidos pelo alarme do despertador. Ele propôs um jantar em um dos restaurantes mais caros da cidade com uma vista deslumbrante para o mar. Sem pensar duas vezes, ela aceitou. Gaguejando por estar nervosa e surpresa, anunciou que estaria pronta por volta das oito horas.

Já eram seis da noite. Ela mergulhou seu corpo na banheira perfumada com essência de orquídeas, procurando relaxar. Após o banho, passou hidratante em sua pele macia que ansiava por um toque que a fizesse transbordar de prazer. Não esqueceu de sua colônia que Rodrigo tanta elogiava. Vestiu-se de forma recatada mas provocante. Estava pronta a espera de seu amante.

A campainha tocou. Lá estava ele diante da porta com um traje sexy e despojado e seu charme irresistível. Seu olhar cafageste a despia. Ele a desajava. Após um jantar delicioso acompanhado por taças de vinho, risadas e conversas sobre assuntos sem muita importância, ele a convidou para conhecer seu novo apartamento, que ficava a poucas quadras dali. Com um certo receio, acabou concordando. Afinal, não haveria mal algum em estender aquela noite que até então estava sendo maravilhosa.

Quando chegaram, ele tirou seu casaco de grife e estendeu sobre a cadeira da mesa de jantar. Pegou duas taças em seu barzinho particular com uma enorme variedade de bebidas, escolheu um champanhe importado e  prôpos um brinde: “Que esta noite seja inesquecível!” . Aproximou-se vagarosamente e arriscou um beijo. Seus lábios se tocaram de forma suave. Hannah, levemente embreagada, não se conteve e aprofundou aquele ato . O encaixe era perfeito. Rodrigo interrompeu aquele momento e fitou os olhos de Hannah, que pareciam um lago de águas cristalinas, convidando-o para mergulhar sem pudor dentro dele. Como um animal no cio, seu corpo exalava um cheiro doce que o excitava. Com um golpe certeiro, agarrou suas coxas e a posicionou estrategicamente em seu colo, fazendo com que ela sentisse o volume dentro de sua calça. Ela entorpecida e possuída por uma enorme vontade, o beijava como se precisasse daquilo enquanto arranhava delicadamente sua nuca.

Quando abriu os olhos, estava deitada em uma cama macia, coberta por lençóis de seda que inocentemente a atiçava. Rodrigo tirou a blusa, deixando em evidência seu corpo esculpido e musculoso. Hannah queimava por dentro de tanto tesão. As mãos de Rodrigo deslizaram sobre o vestido vermelho, arrancando-o rapidamente, revelando seios fartos e empinados. Tirou a calcinha rendada com os dentes a fazendo dar um breve gemido. A beijou novamente, dessa vez em outros lábios, a deixando molhada, quase suplicando para senti-lo em seu interior. Ele abriu o zíper e tirou sua calça, seu membro avantajado pulsava, sedento. Ela retribuiu, abrigando-o no interior de sua boca quente e úmida.

Rodrigo a penetrou com um único e intenso movimento. Hannah gemeu novamente, agora mais alto. Seu corpo era um vulcão prestes a entrar em erupção. Ambos se movimentavam em harmonia, fazendo com que cada penetração fosse mais forte e em ritmo constantemente acelerado. Hannah se entregou ao prazer e se permitiu gozar como nunca antes em sua vida. Gemeu tão alto que o som ultrapassou as paredes do quarto. Ele a acompanhou. Logo após, se abraçaram, completamente suados e adormeceram como dois amantes, vítimas de um desejo incontrolável que os dominara e fizeram de seus corpos um só.

Lovegame?

Quando alguém se machuca e bate de cara contra a parede diversas vezes até perceber o quanto dói, procura de alguma forma se proteger para não se ferir novamente. Eu sou assim.

O amor não é tão lindo, mágico – ou qualquer outro adjetivo meigo de citar – quanto parece, pelo menos eu não acho. Conheço pessoas que se apaixonam como trocam suas roupas íntimas e que se aventuram em relacionamentos sem medo de sofrer. Também conheço quem se envolva apenas por puro benefício ou conviniência. Duram meses, anos…mas duram.

Se entregar, jurar fidelidade e se permitir amar um outro alguém não é tão simples pra mim. Apesar de estar sempre me divertindo e beijando bocas alheias na tentativa frustrada de despistar a maldita carência que me persegue a todo instante (e que eu prefiro não demonstrar), sempre volto para casa sozinha (ou simplesmente não volto), passo meus dias sozinha e divido apenas comigo mesma conflitos e sentimentos. Sou minha própria e única companhia. Um gesto sem amor pouco importa. Ok, no fundo estou mentindo, mas prefiro não dar muito valor. Sinto falta de alguém para compartilhar momentos, até os mais idiotas, como ver filme comendo pipoca. Sinto falta de ter intimidade, de poder confiar e de sexo todo dia…foda-se!

Tive poucos relacionamentos e nem um deles durou muito. O primeiro, um paralelo entre lágrimas e felicidades. Houveram muitos momentos divertidos e quase sempre a cerveja estava presente. O segundo me fez crescer bastante. Conversavamos sobre tudo o que nos rodeava, o que desejamos para o futuro, viajamos bastante e nos entendiamos. Nos damos bem até hj. O terceiro não foi bem um “namoro”, mas me atingiu de forma avassaladora da qual me senti uma idiota e me fez jurar vingança. Não aconteceu. Prefiro que ele mesmo aprenda com seus erros.

Sou confusa, não me entrego por completo, sou instável, mimada e enjôuo fácil de pessoas previsíveis e de monotonia. Sou radical em certas opiniões. Se quem está comigo não for dono de TODO meu desejo, tesão e amor, não vale a pena, não deve ser verdadeiro. Se termino, dias depois estou renovada. Posso até sentir falta, mas acredito que seja apenas coisa da minha cabeça e que vai passar. Não traio e nunca trai. Termino antes e pronto.

Até hoje me pergunto se já amei de verdade. Talvez tenham sido paixões, amizades fortes e confusas, compatibilidade ou um enorme carinho. Acho difícil eu conseguir me jogar de cabeça em um namoro, por medo de me ferir. Entre o certo e o duvidoso, prefiro não me arriscar e nem perder meu tempo. Porque quem sabe nesse “meio-tempo” possa aparecer o “amor da minha vida” e eu não vou querer estar presa e muito menos magoar alguém pois sei o quanto dói. Tento sempre me dedicar ao máximo para fazer quem estiver comigo feliz e se consigo, já me contento. Não sei se permitiria que fizessem o mesmo, para, pelo menos, poupar minhas feridas e preservar meu espaço.

Apesar de estar aprendendo a ser mais flexível e perceber que nem tudo precisa ser tão drástico, o que posso fazer se só me deixaria levar por alguém que me tirasse do sério a ponto de cometer loucuras?

É tudo muito complicado. Talvez eu idealize um par perfeito ou acredite que um dia eu viverei um romance tão intenso como o de uma mega-produção hollywoodiana… Enquanto esse alguém não aparece, estou muito bem sozinha, obrigada.

Cefaléia Matinal

Como posso durmir, sonhar, viver, se em momentos mais inesperados você aparece e me assombra com suas lembranças? Prefiria apagar, esquecer, como quando ocorre em uma noite de embreaguez. Os fatos simplesmente não vem a cabeça. Quantos momentos disperdiçados, o quanto me degastei e em insana impulsividade me coloquei em situações de risco – brincando com o que significa a vida – que em sã-consciência, jamais me submeteria. Naqueles momentos, eu só queria mais e não me importava em abrir mão de bens materias que possuia…Dei sorte, muita sorte. Algumas vezes achei que iria me foder, mas com algumas mentiras e engolindo o meu medo como se a situação fosse natural, me safava.

Após aquele turbilhão, era sempre a mesma coisa, a mesma angústia. Tudo ao mesmo tempo me atormentava, me fazendo chorar em silência, buscar o ar que me faltava. Meu coração pulsava rapidamente. Eu só queria dormir e acreditar que o amanhã seria novo, diferente e que definitivamente me libertaria de tudo aquilo. Mas não. Minha vida esta presa em um ciclo vicioso e quem sabe, a única forma de escapar seria pular de um penhasco para que a dor que corroia meu peito fosse aniquilada em segundos.

Quantas mentiras foram ditas pela vontade de falar. Quantas trapaças e infidelidades. Vi de perto o quão frio e vazio o olhar de uma pessoa pode ser. Muitas experiências me serviram como aprendizado, outras só me fazem sangrar por dentro. Sangrei literalmente algumas vezes, também. Talvez pelo excesso. Com companhia ou sozinha. Só o que eu queria era aquela sensação, não importava a hora. Planejava meus dias em torno daquilo. Às vezes, tentava me ocupar e esquecer por alguns instantes, porém, o desejo era forte e me consumia.

Até o momento em que as consequências resolveram dar o ar de sua graça. Uma de cada vez, sempre pior que a anterior. Como uma facada, e mais uma e mais uma… Acho que das suas seguidoras, fui a que mais me entreguei por ser fraca e querer fugir a todo custo da dolorosa realidade. Me vi trancada em uma caixa escura, implorando por ajuda, – apesar do orgulho, que não existia mais – gritando até meus pulmões estourarem e ninguém me ouvia.

Me afastei por um tempo, mas em um dia qualquer, não me recordo muito bem, abusei. De tudo que intorpecia de forma abundante. Estava completamente fora de mim. Mas ainda recordo do olhar desesperado da pessoa mais importante da minha vida. Ela estava ali, assistindo tudo, se sentindo impotente, incapaz. Doeu muito.

Durmi durante dias e acordei em um lugar desconhecido. Passei um período isolada do mundo, ao lado de pessoas tão fudidas quanto eu, ou mais até. Esse pouco tempo me proporcionou risadas, pessoas que guardarei sempre comigo, medos, temores…me fez rever meus conceitos. Lá era tudo sistemático e intenso. As horas não passavam, principalmente aos domingos. Me dopavam, mais ainda em momentos de crise. De raiva? Quem sabe. Mesmo assim, intrigas e atitudes tipicamente adolescentes a maioria das vezes me fazia sorrir e agir como alguém da minha idade pois tragicamente amadureci de forma rápida e cruel, vivenciando tragédias que já mais imaginaria que fossem reais.

Não sei se foi isso ou perceber o quanto fui idiota por me deixar levar por algo tão escroto me fez parar. Hoje, só sinto nauséas e repulsa ao lembrar. Prefiria simplesmente apagar.

Ocorreram sim, algumas poucas vezes, momentos de fraqueza em que a vontade de sentir aquela adrenalina novamente me dominou devido ao excesso de álcool. Depois, quando refletia sobre o que havia feito, chegava a conclusão que não queria tudo aquilo denovo. Peço que quem a tenha se afaste, para não me tornar vulnerável. Sinto pena, vontade de protegê-lo para que não cometa os mesmos erros que eu. Mas cada um é dono de si… o máximo que posso fazer é avisá-lo para tomar cuidado. Mas nunca me escutam pois acham que nunca serão dominados… talvez não, nunca se sabe.

Não sei se é a agitação da cafeína ou apenas a vontade de cuspir essas palavras entaladas na garganta. Só quero me livrar de tudo que me aflinge.

Sei que ficarão na lacrados (ou não) na minha memória. Me sinto forte, apesar de tudo, por ter levantado e seguido em frente. Alívio.